A água de Marte em Cartas de uma Morta: o que havia de novo na psicografia de 1936?
por Elton Rodrigues

Uma passagem de Cartas de uma Morta, obra atribuída ao Espírito Maria João de Deus e psicografada por Francisco Cândido Xavier, ganhou uma aparência inesperadamente atual depois das últimas décadas de exploração de Marte. Em determinado momento do relato, a autora procura explicar por que o planeta possuiria pouca água superficial e afirma que “grande parte das águas desse planeta desapareceram nas infiltrações do solo combinando-se com elementos químicos das rochas”.
A frase chama a atenção porque pesquisas recentes sobre a história hidrológica marciana consideram justamente o sequestro de água pela crosta como um dos mecanismos capazes de explicar o desaparecimento de parte dos antigos reservatórios superficiais. Modelos geoquímicos publicados nas últimas décadas indicam que reações entre água e minerais podem ter aprisionado volumes consideráveis de água na estrutura mineralógica das rochas de Marte.
A proximidade entre as duas ideias suscita uma pergunta inevitável. Teria uma mensagem mediúnica antecipado, na década de 1930, uma explicação que somente muito depois receberia sustentação científica?
A investigação histórica conduz a um quadro mais complexo. A passagem realmente se aproxima de uma linha de pesquisa contemporânea. Contudo, o mecanismo descrito na psicografia já havia sido aplicado a Marte no século XIX por Camille Flammarion. Mais do que isso, a comparação entre Cartas de uma Morta e Uranie, publicada pelo astrônomo francês em 1889, revela um conjunto amplo de correspondências que ultrapassa a questão da água.
O caso permanece interessante, embora por razões diferentes daquelas que aparecem quando se observa apenas a coincidência com a ciência atual.
A data correta da mensagem
A primeira providência consiste em estabelecer quando a afirmação foi efetivamente registrada. Cartas de uma Morta apareceu pela primeira vez em 1935, fato que frequentemente leva a atribuir a esse ano todas as mensagens atualmente encontradas no livro. A primeira edição, porém, possuía apenas doze capítulos.
O capítulo intitulado “O planeta Marte” foi escrito posteriormente e recebeu a data de 24 de junho de 1936. Ele integra o conjunto de textos acrescentados à segunda edição, revista e ampliada, publicada em 1937. A cronologia relevante para qualquer comparação com a história da astronomia é, portanto, junho de 1936.
O próprio capítulo apresenta a descrição como algo passível de confirmação futura. Maria João de Deus declara ter visitado Marte e reconhece que suas afirmações poderiam parecer resultado da imaginação diante da falta de “elementos mais positivos de ordem material”. Em seguida, afirma que chegaria o momento em que os homens verificariam a veracidade daquilo que estava sendo narrado. Essa passagem é importante porque indica que o texto pretende falar de características reais do planeta e concede às afirmações certo caráter verificável.
A paisagem encontrada inclui um lago junto a uma cidade, vegetação avermelhada, flores, frutos, atmosfera rarefeita, habitantes, máquinas voadoras, oceanos pouco profundos e um sistema natural de canais comunicando os mares. A escassez de água aparece logo depois. O texto atribui o fenômeno à infiltração e à combinação da água com componentes das rochas, retirando-a da circulação do planeta. E é justamente essa última afirmação que ganhou renovado interesse diante da exploração moderna de Marte.
O destino da antiga água marciana
As evidências disponíveis atualmente indicam que Marte teve uma história hidrológica muito diferente de sua condição presente. Formações geomorfológicas associadas a rios e lagos, depósitos sedimentares e numerosos minerais produzidos ou modificados em presença de água mostram que o planeta experimentou períodos muito mais úmidos durante sua evolução inicial.
As missões espaciais acrescentaram evidências mineralógicas particularmente importantes. Em 2005, observações do espectrômetro OMEGA, instalado na missão Mars Express, permitiram identificar sulfatos hidratados em diferentes regiões de Marte. No mesmo ano, François Poulet e colaboradores anunciaram a detecção inequívoca de filossilicatos, minerais formados pela alteração de materiais geológicos em contato prolongado com água líquida. Esses minerais funcionam como registros físicos de antigas interações entre água e rocha na crosta marciana (GENDRIN et al., 2005; POULET et al., 2005).
A questão seguinte era quantitativa. Quanto da água antiga poderia ter sido incorporada às rochas?
Em 2017, Jon Wade e colaboradores publicaram na Nature um estudo sobre os destinos diferentes da água primitiva na Terra e em Marte. Os autores modelaram reações de hidratação em rochas máficas e concluíram que as características químicas da crosta marciana poderiam favorecer o armazenamento de uma quantidade significativa de água em minerais hidratados. A composição das rochas de Marte permitiria reter mais água do que materiais equivalentes da crosta terrestre (WADE et al., 2017).

Figura 1 - Destino da antiga água de Marte. O esquema apresenta os principais mecanismos considerados para a evolução do inventário hídrico marciano ao longo de bilhões de anos. Parte da água foi perdida para o espaço, enquanto outra parcela interagiu com as rochas da crosta e ficou retida em minerais hidratados. O modelo de Scheller e colaboradores indica que entre aproximadamente 30% e 99% da água inicialmente presente em Marte pode ter sido sequestrada na crosta, processo que contribuiu para a progressiva dessecação da superfície marciana.
Fonte: California Institute of Technology (Caltech), adaptado de Scheller et al. (2021).
O problema recebeu uma análise mais abrangente em 2021. Eva Scheller e colaboradores reuniram dados provenientes de sondas, rovers, meteoritos marcianos, medidas isotópicas e modelos de escape atmosférico. Segundo os cálculos apresentados na Science, entre 30% e 99% da água original de Marte pode ter sido sequestrada por processos de hidratação da crosta. O intervalo é amplo e depende das condições adotadas nos modelos, porém demonstra que a interação química entre água e rochas pode representar um componente importante do processo de dessecação do planeta (SCHELLER et al., 2021).
Essa água não precisa permanecer como reservatórios líquidos subterrâneos. Durante o intemperismo químico, moléculas de água ou grupos hidroxila podem tornar-se parte da estrutura dos minerais. O reservatório deixa, então, de participar diretamente do ciclo hidrológico superficial. A NASA destacou justamente esse aspecto ao apresentar os resultados do estudo de 2021: uma parcela importante da antiga água marciana pode estar preservada nos minerais da crosta.
A comparação com a passagem de Cartas de uma Morta é legítima nesse ponto específico. A psicografia relaciona infiltração, interação química com as rochas e retirada da água da circulação. A ciência planetária contemporânea trabalha com hidratação mineral, intemperismo químico e sequestro da água na crosta.
Para avaliar o caráter da coincidência, entretanto, é necessário recuar quase meio século antes de Chico Xavier.
Marte segundo Camille Flammarion
Em 1889, Camille Flammarion publicou na França Uranie, obra que combina divulgação astronômica, filosofia, espiritualismo e ficção científica. Na terceira parte do livro, o narrador entra em contato com Spero, personagem falecido que relata sua experiência em Marte e descreve detalhadamente a população e as condições físicas do planeta.
A descrição inclui uma explicação para a diminuição dos reservatórios marcianos. Segundo o habitante de Marte, anteriormente existia no planeta uma quantidade proporcional de água próxima daquela encontrada na Terra. Parte da chuva teria penetrado progressivamente nas camadas profundas do terreno, deixando de retornar à superfície.
Flammarion escreve então que essa água “s’est combinée chimiquement avec les roches”, ou seja, combinou-se quimicamente com as rochas, ficando excluída da circulação atmosférica.
A passagem foi publicada em 1889, quarenta e sete anos antes da mensagem de Maria João de Deus.
Em Flammarion, a água atravessa as camadas profundas do solo, combina-se quimicamente com as rochas e deixa a circulação atmosférica. Em Cartas de uma Morta, as águas desaparecem por infiltração no solo, combinam-se com elementos químicos das rochas e saem da circulação ordinária do planeta.
Outras características reforçam a proximidade entre as duas narrativas.
O Marte de Flammarion possui menos água e menos nuvens que a Terra. Seus mares são pouco profundos e grande parte da superfície é composta por planícies. Há canais interligando corpos d'água. O dia marciano possui aproximadamente 24 horas e 39 minutos, enquanto o ano compreende 668 dias marcianos. Sua humanidade seria muito mais avançada que a terrestre no campo científico e moral.
Em Cartas de uma Morta, encontramos novamente água escassa, poucas chuvas, céu quase sempre sem nuvens, mares pouco profundos, vastas planícies e canais ligando os mares. O dia tem “24 horas e quase 40 minutos” e o ano, 668 dias. Os marcianos são descritos como cientificamente mais avançados que os habitantes da Terra e constituiriam uma sociedade pacífica, sem guerras.
A semelhança se estende até a anatomia dos habitantes.
Flammarion imagina que a menor gravidade marciana teria permitido uma evolução biológica diferente. Sua humanidade descenderia de espécies aladas. Os marcianos seriam bípedes, possuiriam dois braços e duas asas e levariam uma existência muito mais aérea que os seres humanos terrestres. O autor relaciona diretamente essas características às condições físicas do planeta e à menor intensidade da gravidade.
Maria João de Deus descreve “homens mais ou menos semelhantes” aos terrestres, cujos organismos apresentariam diferenças apreciáveis. Além dos braços, possuiriam protuberâncias nas costas comparadas a asas, associadas à capacidade de voo. Logo depois, o texto afirma que “a vida da humanidade marciana é mais aérea”.
A coincidência do mecanismo associado à água poderia, isoladamente, ser atribuída à convergência entre duas especulações independentes. O conjunto formado pela água, mares rasos, escassez de nuvens, planícies, canais, duração do dia e do ano, superioridade da civilização, organismos alados e vida aérea estabelece um quadro comparativo muito mais amplo. Esse conjunto, portanto, merece ser considerado na avaliação histórica da psicografia.
Urânia poderia ter chegado a Chico Xavier?
A existência de uma fonte anterior não demonstra por si mesma que ela tenha sido utilizada pelo médium. Para estabelecer uma relação direta entre dois textos seria necessário documentar algum caminho plausível de transmissão e, idealmente, alguma evidência de leitura.
A investigação realizada até agora oferece informações interessantes, embora ainda insuficientes para reconstruir esse caminho.
Uranie foi publicada em francês em Paris, em 1889. Uma versão inglesa saiu em Boston já em 1890. Também houve uma tradução espanhola, atribuída a Francisco Gutiérrez, publicada em 1890, e uma tradução catalã de Rafael Patxot em 1903. A obra, portanto, circulava internacionalmente havia décadas quando a mensagem sobre Marte foi psicografada.
Já a edição da Federação Espírita Brasileira, traduzida por Almerindo Martins de Castro, registra copyright de 1937. Caso essa data corresponda efetivamente à primeira publicação da tradução da FEB, ela teria surgido depois da mensagem de 24 de junho de 1936. Não encontrei, até o momento, uma edição brasileira em português seguramente datada de antes da psicografia. Edições posteriores preservam a informação de copyright de 1937.
Isso restringe uma possível via direta de leitura em português, sem eliminar outras formas de circulação. A edição francesa existia desde 1889; a espanhola, desde 1890; trechos ou ideias de Flammarion poderiam circular em revistas, jornais, livros espíritas e obras de divulgação astronômica. Flammarion era uma figura conhecida no ambiente espírita brasileiro e outros títulos seus circulavam amplamente nesse universo.
Temos ainda um documento excepcional para observar as leituras de Chico Xavier naquela época.
Em 1935, o jornalista Clementino de Alencar foi enviado por O Globo a Pedro Leopoldo para produzir uma extensa reportagem sobre o jovem médium. Uma de suas preocupações declaradas era descobrir quais livros Chico possuía e o que costumava ler. O jornalista visitou sua residência e descreveu aquilo que chamou, com alguma ironia, de sua pequena “biblioteca”.
Segundo a reportagem, havia revistas e jornais antigos, periódicos espíritas, almanaques Bertrand e alguns livros doutrinários. Alencar registra especificamente O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, O Grande Enigma e Depois da Morte, de Léon Denis, Os Quatro Evangelhos, de Roustaing, além de fascículos e volumes editados pela Federação Espírita Brasileira. Urânia e outras obras de Flammarion não aparecem na descrição.
A mesma reportagem mostra por que esse inventário deve ser utilizado com prudência. Chico possuía jornais, revistas e almanaques de vários anos e declarou ter lido textos de autores encontrados ocasionalmente nesses materiais. Quando Alencar pergunta sobre Humberto de Campos, por exemplo, Chico responde ter lido algumas crônicas em jornais, embora não tivesse lido seus livros. O repertório de leitura do médium era, portanto, mais amplo que os títulos conservados fisicamente em sua casa.
Até o momento, não encontrei documento anterior a junho de 1936 demonstrando que Chico Xavier leu Uranie, Urânia ou sua versão espanhola. Também não encontrei a obra no levantamento feito por Clementino de Alencar em 1935. Essas ausências têm valor limitado. Elas impedem afirmar uma dependência textual demonstrada, ao mesmo tempo que a circulação internacional do livro torna inadequado tratar seu conteúdo como informação inexistente ou inacessível no período. Entre a constatação de semelhança e a afirmação de cópia existe uma distância documental que precisa ser respeitada.
A humanidade descrita era física ou espiritual?
A natureza dos habitantes marcianos merece atenção própria, porque uma interpretação posterior bastante frequente procura localizar descrições desse tipo em uma dimensão espiritual associada a Marte. Nesse entendimento, sondas e telescópios não encontrariam cidades ou habitantes porque a narrativa trataria de seres existentes em outro plano vibratório. O capítulo de 1936 fornece elementos suficientes para examinar essa hipótese a partir do próprio texto.
Maria João de Deus apresenta-se como desencarnada e afirma realizar uma excursão espiritual. A viagem até Marte ocorre por meio da vontade e dura poucos segundos segundo a contagem terrestre. A condição da observadora, portanto, é explicitamente espiritual.
O objeto observado recebe, entretanto, uma descrição associada repetidamente à materialidade planetária. O texto menciona atmosfera, densidade do ar, vegetação, flores, frutos, oceanos, chuvas, rochas, topografia, duração da rotação, translação, satélites, aparelhos tecnológicos e características dos organismos dos habitantes. Maria João também afirma que os homens poderiam, futuramente, verificar suas declarações por meio de “elementos mais positivos de ordem material”.
Em um trecho especialmente esclarecedor, depois de descrever os habitantes e sua organização social, a autora estabelece uma distinção entre aquilo que havia observado fisicamente e a condição moral daquela sociedade. Diz que aquilo que mais a impressionara “não foram as expressões físicas desse planeta”, passando então a tratar da ausência de guerras, da fraternidade e da espiritualidade dos marcianos. A própria redação diferencia características físicas e qualidades espirituais dentro da mesma descrição.
A expressão “organismos” também aparece de maneira significativa. Os habitantes são comparados aos homens terrestres, possuem braços, estruturas semelhantes a asas e uma adaptação corporal que lhes permitiria voar. O dia e o ano marcianos são apresentados junto às condições climáticas que influenciariam a saúde desses habitantes. A descrição adquire, assim, o caráter de uma humanidade biologicamente adaptada ao ambiente de Marte.
Uma nota atualmente encontrada em algumas versões eletrônicas do capítulo remete posteriormente a Emmanuel e às “Esferas espirituais mais complexas que rodeiam cada planeta”. Essa observação oferece uma possibilidade teológica de conciliação entre literatura mediúnica e astronomia contemporânea, porém não integra a descrição original atribuída a Maria João de Deus em 1936. Na análise histórica, convém separar o conteúdo inicialmente publicado das interpretações desenvolvidas depois. Realizando um paralelo com Uranie, há um reforço dessa leitura.
Flammarion distingue claramente Espíritos desencarnados e habitantes corporalmente organizados em Marte. Spero havia vivido na Terra, morrido e posteriormente encarnado no planeta vermelho. O texto fala em concepção, nascimento, organismos adequados às condições planetárias, menor gravidade, evolução orgânica e habitantes alados. Os marcianos pertencem, nesse sistema narrativo, a uma humanidade encarnada em corpos diferentes dos terrestres.
Como Cartas de uma Morta reproduz vários componentes dessa mesma descrição física, a interpretação mais próxima do sentido literal do capítulo é a de que Maria João de Deus descrevia habitantes encarnados de Marte, embora ela própria realizasse a observação na condição de Espírito desencarnado.
Essa distinção permite compreender melhor o problema. A viagem é espiritual; a paisagem apresentada como objeto da viagem possui elementos físicos e uma população corporalmente organizada.
O que resta da aparente antecipação científica?
A hipótese de sequestro da água na crosta oferece uma correspondência genuína entre um texto antigo e modelos científicos contemporâneos. A passagem de 1936 é suficientemente específica para chamar atenção, porque relaciona três etapas: infiltração, reação química com rochas e retirada da água da circulação.
As pesquisas atuais fornecem sustentação a um processo fisicamente semelhante. Minerais hidratados foram efetivamente observados em Marte, e trabalhos publicados em Nature e Science mostram que a hidratação da crosta pode ter removido uma fração considerável da água do reservatório superficial ao longo da história do planeta (WADE et al., 2017; SCHELLER et al., 2021).
A prioridade histórica dessa ideia, contudo, antecede a psicografia. Uranie já apresentava em 1889 uma explicação praticamente equivalente, formulada no contexto das concepções astronômicas de Flammarion sobre a evolução de Marte. O astrônomo imaginava um planeta habitado, com mares, canais, seres alados e uma civilização muito mais avançada. Parte desse panorama envelheceu mal diante da exploração espacial; a incorporação de água pelas rochas revelou-se uma possibilidade fisicamente relevante.
Há aqui uma diferença importante entre uma ideia antiga posteriormente corroborada em determinado aspecto e uma informação inédita obtida antecipadamente por via mediúnica. O primeiro fenômeno pode ser documentado. Para sustentar o segundo seria necessário demonstrar, entre outras coisas, que o conteúdo não estava disponível no repertório cultural anterior. No caso analisado, sabemos que estava.
Permanece em aberto a origem imediata das correspondências entre Uranie e Cartas de uma Morta. A investigação realizada até agora não documentou que Chico Xavier tivesse lido Flammarion antes de junho de 1936. A tradução brasileira da FEB parece ter surgido em 1937, enquanto a biblioteca observada pelo repórter de O Globo em 1935 não continha o livro. Por outro lado, Uranie circulava desde 1889, ganhou tradução espanhola já em 1890 e integrava um repertório intelectual particularmente próximo do espiritualismo e do espiritismo.
Criptomnésia, contato indireto, circulação oral, leitura de excertos, coincidência e produção mediúnica constituem hipóteses diferentes. As fontes atualmente disponíveis não permitem escolher de maneira conclusiva entre todas elas.
A célebre afirmação de Cartas de uma Morta sobre a água marciana possui realmente uma correspondência relevante com a ciência planetária contemporânea, porém sua genealogia alcança pelo menos o ano de 1889. A investigação histórica transforma uma aparente profecia científica em um problema muito mais amplo sobre circulação de ideias, literatura espiritualista, astronomia popular e produção mediúnica.
Esse caso também oferece uma boa demonstração da necessidade de examinar alegações extraordinárias em seu contexto. Uma frase pode parecer surpreendente quando colocada ao lado de um artigo publicado oitenta anos depois. O quadro se modifica quando procuramos aquilo que havia sido escrito cinquenta anos antes dela.
Podemos concluir nosso artigo, dizendo que a história de uma ideia costuma ser maior do que a passagem na qual a reencontramos.
Referências
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